segunda-feira, 17 de agosto de 2009

HONDURAS É CENÁRIO DE
GOLPE DE ESTADO E
DE RESISTÊNCIA POPULAR

Iván Lira (Rebelión).

Por Deputado Sargento Amauri Soares*

Honduras é mais um país pobre da América Latina, situada mais precisamente na América Central, bem mais perto de nós do que os EUA, a Europa, a Ásia e o Oriente Médio.

Honduras está sendo vítima de um golpe de Estado, como todos sabem. Os motivos é que estão tergiversados para a maioria dos brasileiros. Dizem que deram um golpe porque o governo Zelaya queria aprovar a sua reeleição, mas essa informação é falsa. O mandato do presidente Manuel Zelaya termina no próximo mês de janeiro, e a Assembléia Constituinte que ele estava propondo como alternativa consultiva aos eleitores hondurenhos aconteceria, se aprovada, apenas à partir do ano que vem, já sem Zelaya no governo. Além do mais, o mecanismo da reeleição foi aprovado no Brasil de Fernando Henrique Cardoso, na Argentina de Carlos Menen e no Peru de Alberto Fugimori sem consulta ao povo, como todos de boa memória lembram. Mas não era isso que Zelaya estava propondo, e sim a convocação de uma Assembléia Constituinte, que o próprio povo decidiria pelo sim ou pelo não no mesmo dia em que elegeria o novo presidente.

Por conta desse golpe, realizado da forma mais criminosa possível, com o presidente legítimo sendo seqüestrado na “casa presidencial” e lavado para o aeroporto de San José da Costa Rica no dia 28 de junho último, o povo tem se levantado em Honduras, e isso os golpistas não esperavam. Os golpistas não esperavam também que o mundo inteiro condenaria o golpe, como tem acontecido de forma quase unânime.

Nas menos de sessenta horas em que estivemos em Tegucigalpa, a capital hondurenha, vimos acontecimentos extraordinários: parte do Congresso Nacional e todas as organizações populares de Honduras têm se levantado contra o golpe. Além do mais, as pessoas sem qualquer identificação política com partidos ou com os movimentos sociais, de forma espontânea, não reconhece o governo golpista, indo para as ruas manifestar sua indignação. Todos os dias ocorrem manifestações na capital e em outras cidades, especialmente em San Pedro Sula, a cidade industrial do país. Já houveram mortes nos confrontos com as forças obedientes ao governo golpista, que tem o general Romeo Vasco Velásquez à frente das forças militares, embora haja descontentamento dentro do próprio oficialato do exército hondurenho. Todos os dias, outras dezenas de pessoas são presas, e muitas têm sido agredidas fisicamente, inclusive parlamentares, como o deputado Marvin Ponce, do Partido da Unificação Democrática, agredido no dia 12 último e que ainda está internado, com braço e costelas quebrados.

A Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado, formada por parlamentares e por todos os movimentos sociais e sindicais do país, busca coordenar a resistência, mas ela ocorre com muito mais espontaneidade do que o potencial de coordenação da Frente, criando um ambiente de difícil análise e compreensão. No meio das manifestações, agentes do golpe espalham o terror, também para transferir a responsabilidade para a resistência, que busca se manter pacífica.

Não tem saída fácil para a crise política instalada em Honduras, pois o povo nas ruas não tem cedido a qualquer saída que não seja o retorno do presidente legítimo, o único que aceitam que lhes governe. Até mesmo a eleição, prevista para o final do mês de novembro está comprometida, pois todos que resistem ao golpe afirmam que não existe poder legítimo no país para convocar a eleição. Querem Zelaya der volta, para que ele convoque a eleição e a consulta quanto a formação de uma Assembléia Constituinte. Evidente que os golpistas não aceitam tal saída, pois teriam que reconhecer e encarar seus erros e mesmo seus crimes. Nenhuma saída negociada, proposta por organismos internacionais, mesmo a Organização dos Estados Americanos (OEA) foi aceita pelo governo golpista, o que acirra todos os ânimos.

É impossível prever um desfecho para esse conflito, e só mesmo uma ação decisiva e enérgica da OEA poderia devolver a paz social para o povo hondurenho. Se a violência da direita aumenta contra a resistência ao golpe, e se o povo continua indo às ruas, com ou sem lideranças, só mesmo um mar de sangue, um verdadeiro massacre social, poderia garantir aos golpistas a possibilidade de dizer que existe um “governo de fato” em Honduras. Naturalmente, essa é a pior saída possível, e o mundo inteiro precisa voltar seus olhos para impedir que tal massacre aconteça. É dever humanitário de todos os homens e mulheres, em qualquer parte do mundo, manifestar o mais veemente rechaço à violência ilegal e ilegítima contra um povo que só quer viver, trabalhar e poder decidir quem dever ser seu governo e como devem ser suas instituições.

* Florianópolis, 14 de agosto de 2009.
O autor esteve na semana passada em Honduras, acompanhando
como observador as ações da resistência hondurenha.


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Kalvellido.

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600 familias sitiadas por fuerzas de la dictadura:
Solas y rodeadas en Honduras


Por María Laura Carpinetta

Guadalupe Carney: Día por medio paramilitares, vestidos de civil y portando armas de guerra, van a la entrada del pueblo del norte hondureño a exigir que entreguen a supuestos militares venezolanos.

Están solos y rodeados. Las patrullas de la policía hondureña y los camiones del ejército dan vueltas día y noche alrededor de la comunidad campesina de Guadalupe Carney. Día por medio paramilitares, vestidos de civil y portando armas de guerra, se acercan a la entrada del pueblo del norte hondureño para exigir que entreguen a los supuestos militares venezolanos que, según la dictadura, ellos esconden. Hace unas semanas una misión internacional de derechos humanos visitó a las más de 600 familias que viven allí y esta semana la Corte Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) hará lo mismo. “Si nadie interviene, habrá una masacre con incontables pérdidas de vidas humanas”, advirtió la misión en su informe.

A la semana del golpe de Estado que derrocó al presidente constitucional Manuel Zelaya, la Cámara de Comercio del departamento de Colón, al cual pertenece Guadalupe Carney, difundió por las emisoras locales de radio y televisión un pronunciamiento en el que pedía, inmediatamente, la intervención militar de la comunidad campesina. Según confirmó la misión internacional, los empresarios sostenían que era un “bastión de la resistencia” al régimen de facto y debía ser controlado. “Si no lo hacen las autoridades, lo haremos nosotros”, fue la amenaza que registró el informe, leído la semana pasada ante la CIDH.

Los vecinos de Guadalupe Carney están acostumbrados a las amenazas de los hacendados de la zona y saben que no son sólo palabras vacías. La historia de esa comunidad campesina, inmersa en los montes y los valles frondosos y desiertos del norte hondureño, es una historia de lucha y mártires. Es, como explicó desde el otro lado del teléfono el dirigente campesino Lorenzo Cruz, la historia de la inalcanzable reforma agraria.

Durante los violentos años ochenta, el Estado utilizó esas 5700 hectáreas para instalar el Centro Regional de Entrenamiento Militar, donde las fuerzas norteamericanas preparaban a los soldados hondureños para combatir a las guerrillas de los países vecinos, el Frente Sandinista en Nicaragua y el Farabundo Martí en El Salvador.

El campo de entrenamiento duró apenas unos años. El gobierno hondureño lo cerró y entregó las tierras al Instituto Nacional Agrario para distribuir entre los campesinos de la zona. Las hectáreas, lindantes con el río Aguán, son de las más productivas de la zona. En el año 2000, 700 campesinos tomaron las tierras, ocupadas ilegalmente por terratenientes de Trujillo, la capital del departamento norteño de Colón, y las bautizaron en honor al padre Guadalupe Carney, un jesuita norteamericano que fue asesinado por los militares en 1983 por liderar el movimiento rural.

Algunas familias terratenientes se fueron, pero otras se quedaron para pelearla. Más de una decena de campesinos murieron en conflictos con los ganaderos a lo largo de los años. El más reciente fue en la última Nochebuena. Dos hombres irrumpieron en la calle principal de la comunidad, donde cientos de personas festejaban y acribillaron a dos vecinos. “Después de eso, el presidente Zelaya nos mandó al ejército para protegernos”, contó a este diario Cruz, miembro de la Central Nacional de Trabajadores del Campo. “El presidente nos ayudó mucho”, recordó.

El año pasado Zelaya consiguió que el Congreso nacional aprobara finalmente la ley de expropiación para las 5700 hectáreas y entregó los primeros títulos de propiedad a los vecinos de la comunidad. Además, los eligió para los subsidios para de-sarrollo agrícola del ALBA, el bloque regional liderado por Venezuela y Cuba, al cual Zelaya se unió el año pasado. Les entregaron tractores, abono y semillas, todo comprado con petrodólares venezolanos.

“Ahora los mismos militares que nos estuvieron cuidando seis meses y que conocen la comunidad dicen que tenemos escondidos soldados y armas venezolanas”, aseguró Cruz, quien a pesar de su enojo no pierde su voz dulce y calma. “Estamos en un lugar estratégico para los militares, los empresarios y los narcotraficantes”, agregó.

La comunidad está a pasos de la ruta que lleva al Puerto Castilla. Por allí salen los cargamentos de bananos de la norteamericana Standard Fruit Company y, según denunciaron los sucesivos gobiernos hondureños, ésa es una de las principales rutas del narcotráfico del país. Desde el golpe de Estado, el 28 de junio pasado, los vecinos de la comunidad han bloqueado esa ruta nacional y, por consecuencia, el comercio, durante dos o tres días durante casi todas las semanas.

Pueden salir de la comunidad, pero sólo en grupos grandes y, salvo que sea urgente, no de noche. “Nos pusieron retenes en la ruta y las patrullas pasan todo el tiempo por la entrada de la comunidad. Con toda la atención que atrajeron las organizaciones internacionales no se han animado a entrar, pero nos hostigan constantemente”, relató el dirigente campesino de 54 años y padre de o­nce hijos.

Cruz habla todos los días con compañeros en Tegucigalpa y espera con ansias la visita de la Corte Interamericana, pero sabe que a pesar de su solidaridad están solos, en las lejanías de los valles del norte, sin gobierno ni justicia a los que recurrir.

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EU y Brasil coordinaron intervención
contra Cuba y Chile en los años 70


Por David Brooks
(Corresponsal La Jornada)

Nueva York, 16 de agosto. A principios de los años 70, los gobernantes de Estados Unidos y Brasil discutieron esfuerzos para coordinar la intervención clandestina contra regímenes de izquierda en Chile, Cuba, Perú, Uruguay y otros países para evitar el surgimiento de "nuevos Allendes y Castros" en la región, revelan documentos oficiales secretos recién desclasificados. Confira.

Los documentos originales pueden ser revisados en el sitio de Internet del National Security Archive: www.nsarchive.org.
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